Aldeias Históricas de Portugal: as 12 aldeias e como as visitar
Muralhas que ainda fecham aldeias inteiras, castelos encaixados no granito, ruas onde não cabe um carro e uma fronteira que durante séculos foi disputada palmo a palmo. As Aldeias Históricas de Portugal são doze, ficam todas no Centro do país e a maior parte está a menos de uma hora da Guarda. Este é o guia que damos a quem nos pergunta por onde começar.
Em destaque
- São 12 aldeias, todas no interior Centro: Almeida, Belmonte, Castelo Mendo, Castelo Novo, Castelo Rodrigo, Idanha-a-Velha, Linhares da Beira, Marialva, Monsanto, Piódão, Sortelha e Trancoso
- Oito delas ficam a menos de uma hora da Guarda
- Num dia bem organizado vêem-se três; em meio dia, duas
- Fevereiro e março trazem as amendoeiras em flor; primavera e outono são as melhores alturas para andar a pé
O que são as Aldeias Históricas?
É uma rede de aldeias e vilas medievais do interior Centro que o Estado começou a recuperar em 1991, com o Programa de Recuperação das Aldeias Históricas. Começaram por ser dez e em 2003 entraram Belmonte e Trancoso, o que fecha a lista nas doze de hoje.
Quase todas nasceram como praças de fronteira: castelos e muralhas para guardar a linha com Leão e Castela. Por isso há tantas no planalto entre o Côa e a Espanha, a chamada Riba-Côa, que só passou definitivamente para Portugal no reinado de D. Dinis.
As aldeias perto da Guarda
Estas são as que fazemos com mais frequência, porque ficam todas a menos de uma hora da cidade e combinam bem entre si.

Sortelha (Sabugal) é talvez a mais completa: a aldeia inteira continua dentro das muralhas, com o castelo encaixado nos penedos e as casas de granito quase como eram. Dê a volta pelo caminho de ronda ao fim da tarde.
Castelo Mendo (Almeida) recebe-o com uma porta da muralha guardada por dois berrões de pedra. Lá dentro há ruas estreitas, o pelourinho e uma vista larga sobre o planalto.

Almeida é diferente de todas as outras: em vez de um castelo medieval, tem uma fortaleza em forma de estrela, com baluartes, fossos e portas monumentais. Foi palco das Invasões Francesas e vale a pena percorrer as muralhas por cima.
Castelo Rodrigo (Figueira de Castelo Rodrigo) fica no alto de um monte, com as ruínas do palácio de Cristóvão de Moura e uma vista que chega a Espanha. Em fevereiro e março está rodeada de amendoeiras em flor.
Marialva (Mêda) é uma cidadela medieval no alto de um cabeço, com a torre de menagem e as ruínas da vila velha. Ao fim do dia, a luz no granito é das mais bonitas da região.
Trancoso é quase uma cidade dentro de muralhas. Foi aqui que D. Dinis casou com Isabel de Aragão, a futura Rainha Santa, e o castelo e a antiga judiaria merecem uma manhã.
Linhares da Beira (Celorico da Beira) fica já na encosta da Serra da Estrela, com o castelo sobre o vale do Mondego. É também um dos sítios mais conhecidos do país para voo livre.
Belmonte é a terra de Pedro Álvares Cabral, tem castelo e uma comunidade judaica com séculos de história, contada no Museu Judaico.
As aldeias mais a sul e na Serra do Açor
Ficam mais longe da Guarda, por isso fazem mais sentido numa viagem de dois ou três dias.
Monsanto (Idanha-a-Nova) é famosa pelas casas metidas entre penedos gigantes. Em 1938 ganhou o título de "aldeia mais portuguesa de Portugal".
Idanha-a-Velha, ali ao lado, foi a cidade romana de Egitânia. As muralhas romanas e a antiga catedral fazem dela um pequeno museu ao ar livre.
Castelo Novo (Fundão) sobe a encosta da Serra da Gardunha, com o castelo no topo e um chafariz barroco na praça.
Piódão (Arganil) é a única de xisto: um anfiteatro de casas escuras, de portas e janelas azuis, perdido na Serra do Açor.
E Castelo Bom?
Não faz parte da lista oficial, mas é das que mais gostamos de mostrar. Fica no concelho de Almeida, no alto de um monte sobre o rio Côa. D. Dinis conquistou-a em 1282 e ainda lá estão a torre de menagem, a porta da vila e restos das duas cinturas de muralhas. Quase ninguém lá vai, e é isso que a torna especial. Está no nosso Entre Castelos e Vinhos.
Roteiros: meio dia, um dia ou um fim de semana
Meio dia a partir da Guarda: Castelo Mendo e Almeida, a menos de uma hora de estrada, com tempo para andar com calma nas duas.
Um dia: Sortelha de manhã, almoço na região, e à tarde Castelo Mendo e Almeida. Para o norte, a alternativa é Marialva, Castelo Rodrigo e Almeida.

Fim de semana: um dia nas aldeias de Riba-Côa e outro a sul, com Monsanto e Idanha-a-Velha, ou na Serra da Estrela, com Linhares da Beira pelo meio.
Se não quiser conduzir nem planear, o Entre Castelos e Vinhos faz isto por si: dia completo com três aldeias, almoço e prova de vinhos (desde 130€ por pessoa), ou meio dia com duas aldeias e prova (desde 90€), com recolha no alojamento.
Quando ir e dicas práticas
Fevereiro e março são a época das amendoeiras em flor à volta de Castelo Rodrigo e de Almeida. A primavera e o outono têm a melhor luz e temperaturas para andar a pé. No verão, faça as aldeias de manhã cedo ou ao fim da tarde: o granito aquece muito a meio do dia.

Leve calçado com boa sola, porque as calçadas são irregulares e escorregam com chuva. Na maioria das aldeias estaciona-se fora das muralhas e entra-se a pé. Os monumentos e postos de turismo têm horários curtos, sobretudo à segunda-feira, por isso confirme antes de ir.


